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De Roca Sales, o motorista de ambulância mais antigo em atividade no Estado

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Ele tem 54 anos de idade, dos quais 34 é motorista de ambulância. Morador de Roca Sales, Almir Vigolo, o Coruja, como é popularmente conhecido, tem muita história para contar. “Sou o motorista de ambulância mais antigo em atividade no estado do Rio Grande do Sul”, comenta.
A oportunidade de ser motorista de ambulância surgiu por acaso, e Almir logo aceitou, passando a ser referência e enfrentando as dificuldades existentes há mais de três décadas. “Quando eu comecei, era tudo diferente. No início, o carro da secretaria era um Fusca, e a ambulância era uma Kombi. Naquele tempo, quando eu iria imaginar que uma ambulância teria tantos equipamentos, oxigênio, UTI móvel? Hoje, a ambulância só transporta pacientes com um profissional: um técnico ou um enfermeiro. Naquela época, o acompanhante era um parente. Nem adiantava ter oxigênio, não saberíamos usar. O trabalho na Saúde era mais complicado, hoje tudo é mais fácil”, lembra.
Sem celular para comunicar quando havia algum transporte a ser feito, o motorista lembra que a prefeitura arranjou uma solução. “Instalaram um ramal do hospital na minha casa, assim, quando o telefone tocava, eu sabia que precisava sair com a ambulância”, explica.
Quando Almir começou no trabalho, o Vale do Taquari só dispunha de serviços básicos. “Tomografias, ecografias, hemodiálises, radio e quimioterapia, partos e recuperação de fraturas eram resolvidos em Porto Alegre, não tinha nada aqui, então eram muitas viagens até a Capital”, comenta. Muitas viagens mesmo: mais de sete mil viagens comprovadas. “Tinha dias que eu ia até três vezes para lá. Nem Instituto Médico Legal (IML) tínhamos aqui, as pessoas que vinham a óbito tínhamos que levar até lá”, lembra.
Nestas mais de sete mil viagens, ele transportou pacientes com muitos casos médicos, e até ajudou crianças a virem ao mundo. “Como mulheres grávidas eram levadas a Porto Alegre para dar à luz, podia acontecer de o bebê nascer antes. Em um dos casos, lembro que chegando em Arroio do Meio a mãe começou o trabalho de parto, e em Estrela, a criança nasceu”, lembra. Em tantas viagens, ele registrou três óbitos na sua ambulância. “É muito triste, mas nem sempre conseguíamos chegar a tempo”, justifica.
Coruja ajudou muitas famílias, fez centenas de viagens, transportou pessoas e histórias, e, de algumas, ele lembra muito bem. Entre estes, a lembrança de um caso fez brotar lágrimas de emoção. “Logo que eu comecei a dirigir a ambulância, há mais de 30 anos, atendi uma mãe e um bebê, que precisavam ir a Porto Alegre. Coloquei a criança na ambulância com bercinho e tudo, e lá fomos nós. Em determinado ponto do trajeto, o bebê piorou, e a mãe gritava desesperada para que eu fosse mais depressa. Lembro que parei a ambulância e vi que o bebê tinha os lábios roxos, mas ainda estava vivo. Eu costumava fazer o trajeto em cerca de 45 minutos, porque não tinha tanto policiamento e era uma ambulância, o que, afinal, significa urgência. Passei o trajeto desejando chegarmos a tempo, desejando o bem daquela criança e daquela mãe, e conseguimos. Chegamos ao hospital e logo a bebê foi atendida. A mãe me agradeceu muito, e hoje a bebê é uma mulher. Ela casou há algum tempo e me convidou para ser padrinho de seu casamento, e eu fui, muito contente”, relata o motorista, emocionado.
Apesar de o trabalho de motorista de ambulância não ter sido planejado e sonhado, Vigolo não se arrepende da profissão. “Tenho muito orgulho mesmo desta profissão, nunca me arrependi e sempre gostei muito”, finaliza.
Joyce Alves Zanon

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