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“Por que bicho e não gente? Porque bicho sofre por causa de gente”

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É regra, para protetores de animais, ter amor de sobra, para os humanos e para os bichanos. Com Graça Castoldi, as coisas não são diferentes. A soma de amor, cuidado, dedicação e atenção tornam ela uma protetora e uma defensora que não mede esforços para cuidar de seus bichanos. “Dá trabalho, mas é um trabalho que eu gosto muito”, explica.
Em casa, ela cuida de muitos cachorros e gatos. A maioria dos bichanos são oriundos de abandonos, desistência de tutores que não os queriam mais ou largados em algum lugar à espera de uma sorte melhor. Somente cinco dos cachorros foram comprados, já os gatos são resultado de abandono ou presentes dados a ela. Graça dá banho, medicação, alimentação, tratamento adequado e muito, muito amor a cada um deles.
Questionada sobre quando este amor se transformou em abrigo para os animais, ela é direta. “Eu nasci assim. Sempre fui apaixonada por bichos, eles são minha paixão”, pontua. A ex-enfermeira agora está comemorando as mudanças que chegam com a criação do Departamento dos Direitos dos Animais de Encantado. “Finalmente Encantado terá um setor para recolher, cuidar, tratar, castrar estes animais. Com a microchipagem deles, será possível ter o controle de quem adotou este animal, e aplicar multas para quem não cumprir com os termos de adoção responsável. Mexendo no bolso todo mundo se adequa. Claro que este é o início, temos muito o que caminhar, mas vamos aos poucos resolvendo o problema de abandono, e espero que com isso Encantado sirva de exemplo”, frisa.
Há cerca de dois anos, Graça realizou “o sonho de uma vida”, como ela mesma define: a construção de um gatil. O amplo espaço, completamente cercado para impedir as temíveis brigas de cães e gatos, foi projetado por ela mesma e tem tudo para o conforto e bem-estar dos felinos: camas, cobertores, caixas higiênicas, brinquedos, alimentação adequada e até fogão à lenha para espantar o frio. Na casa da Graça, cães e gatos são tratados como majestades, e aproveitam muito o amor que ela tem para dar: onde ela vai, os cachorros a seguem, buscando brincadeiras e um afago.
Para os caninos, um pátio enorme para correr, brincar e tem até um poço onde o George, um cachorrinho mais do que esperto, costuma se banhar. Eles ainda têm camas e espaços confortáveis para descansar, com proteção para o frio e abrigo do calor. Graça sabe a história de cada um deles, e cada animal recebe um nome, que a tutora sabe de cor.
Apesar do trabalho e da luta que já dura anos para ter ajuda nos cuidados com os animais, Graça diz que nunca pensou em desistir. “Se fosse por tudo o que eu já ouvi, críticas e julgamentos sem fundamento, eu já teria desistido, mas sei que minha missão é maior, e por isso, nunca vou desistir”, destaca.“Muita gente critica, e pergunta ‘por que bicho e não gente?’. O motivo é simples: porque bicho sofre por causa de gente. Muitos falam que não querem ‘gatos pesteados da Aeda’, mas não são os ‘gatos pesteados’ da sua cidade. Se todos agissem corretamente, cuidassem dos seus animais e não maltratassem os animais dos outros ou os bichos abandonados, não existiram ‘gatos pesteados na Aeda’. Acho de uma pobreza de espírito quando as pessoas falam isso. Tudo faz parte de um todo”, frisa.
O amor que sente por estes “filhos de quatro patas” é tão grande que ela vive na luta por melhorias há muitos anos. Não mede esforços e, muitas vezes, nem valores monetários investidos nos cuidados: veterinários, alimentação, água, medicação... Para dar conta da bicharada, a ajuda de dona Vera Feijó é bem–vinda. A funcionária visita o espaço – e os animais- regularmente, ajudando no banho e na limpeza de todos os espaços dos bichanos. “Acredito que nos dão uma bela lição de vida. Tu te torna uma pessoa melhor conforme tu te doa, e estes animais precisam disto. Nos retribuem com um amor, um carinho, que é difícil de explicar”. São gatos e cachorros que vivem e convivem com Graça. São animais de raça, mestiços e sem raça definida, mas todos amados, que reconhecem e retribuem este carinho com lambidas, miados afinados, e latidos imponentes e pulos de alegria.

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