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Bruno e Drico celebram o amor com troca de alianças

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O amor está no ar. Está no olhar, está no toque, no abraço, na fala. Amor é a palavra de ordem na vida de dois relvadenses. Bem, na verdade, um relvadense nato e um adotado. Estamos falando de Bruno Durães (37) e Adriano Reginatto (33). Na última semana, em uma festa íntima, eles celebraram a troca de alianças, em um evento regado a amor, amigos e cumplicidade.

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O início
Bruno é um empresário carioca. Adriano é dono de um salão de beleza no Centro de Relvado. Quem uniu estes dois foi a internet, e o amor, claro. Há mais de um ano e meio, “zapeando” nas redes sociais eles se encontraram e começaram a conversar. “Eram conversas simples, de ‘oi’, ‘tudo bem’, ‘como foi seu dia’”, lembra Bruno. Do Facebook, as interações foram para o WhatsApp. “Passamos a conversar todos os dias, coisas do cotidiano, do trabalho”, explica Adriano. A relação foi crescendo, e as conversas passaram a ocorrer mais de uma vez por dia, através de chamadas em vídeo. “Passávamos o tempo todo conversando. Ele ligava e já dava oi pra minha família, interagia com meus clientes do salão”, comenta Adriano. Bruno ainda explica. “A conversa por áudio e vídeo nos passa uma maior tranquilidade, facilita a aproximação, tira aquela sensação de que o outro é um completo estranho”, frisa.
Durante meses, eles se encontravam todos os dias, mas apenas virtualmente. Até que em 7 de março deste ano, Bruno saiu do Rio de Janeiro em direção a Relvado. Os amantes iriam se encontrar pela primeira vez. “Foi muito natural. Não existia mais aquela estranheza de ser alguém que eu mal conhecia”, lembra Bruno. O carioca ficou cinco dias no Sul, e voltou à Cidade Maravilhosa. Duas semanas depois, estava novamente ao lado do namorado.
Em maio, Bruno voltou para Relvado, mas desta vez, as coisas seriam diferentes. “Eu estava organizando uma festa para ele, tudo surpresa, mas não contive a ansiedade e acabei contanto antes da hora”, revela Adriano.

O casamento
Bruno estava com a viagem marcada para Relvado, e Adriano, apaixonado, resolveu fazer uma festa de casamento. O casal conta que a conversa sobre “o próximo passo” já tinha surgido. “Nós dois queríamos algo sério, já tínhamos certeza do que sentíamos, então, era algo que já estava nos planos”. Planos estes, que Adriano se encarregou de organizar, de forma surpresa, mas acabou traído pela própria ansiedade. “No final, a festa de casamento acabou sendo surpresa para nós dois, porque nossos amigos nos afastaram da organização e resolveram tudo”, contra Adriano.
A festa aconteceu dia 17 de maio, em uma data muito simbólica: dia Internacional Contra a Homofobia. “A data não foi escolhida propositalmente. Apenas aconteceu por coincidir com um período em que o Bruno viria para cá, mas ficamos felizes mesmo assim”, pontua. O evento teve direito até a padrinhos simbólicos: Daniela e Rodrigo Fraportti. O casamento propriamente dito – a união estável do casal – acabou não saindo em virtude da burocracia. “Tivemos problemas com os papeis. Enrolados com a organização da festa, acabamos perdendo prazo para entrega de documentos, e como a festa já estava organizada, invertemos: fizemos a festa antes da união estável, mas o casamento vai sair, sim”, comentam. E em breve: a intenção é realizar a cerimônia nos próximos 15 dias.
A festa foi feita no “Boteco da Praça”, no Centro de Relvado. Um lugar charmoso que teve a missão de comportar um número de convidados que não parava de crescer. “Começamos pensando em algo para nós dois e os padrinhos. Depois acrescentamos irmãos, depois os tios, pais, amigos.... Quando vimos, a festa que era para ser para menos de 10 pessoas, estava com 62”, conta Adriano. E festa, mesmo, no melhor sentido da palavra. “Eu confesso que acreditava que seria algo muito formal. Convidamos casais, homens e mulheres, mas achava que os homens não viriam. Pelo contrário, vieram todos, comemoraram, brincaram, fizeram fotos conosco. Foi maravilhoso”.

O preconceito
Tanto Bruno quanto Adriano chegaram a ter relacionamentos com mulheres, mas não se sentiram felizes. “Na escola, lembro que aconteciam beijinhos entre os alunos, e uma professora dizia que era bobagem, que quando o beijo é de verdade a gente sente algo muito forte. Eu ficava intrigado, achava que ela estava louca, porque eu beijava as meninas mas não sentia nada daquilo. Muitos anos depois, quando beijei um homem pela primeira vez eu lembrei dessa professora, porque foi neste momento que entendi sobre o que ela falava”, lembra Adriano, que tinha 23 anos quando assumiu sua homossexualidade.
O início, lembra Drico, como é chamado, foi difícil. “No início, foi complicado. Meus pais e irmãos resistiram um pouco mais em aceitar. As pessoas não acreditavam, mas depois, todos aceitaram. Hoje, é tudo normal. Tanto que minha mãe esteve na festa, meu pai não veio porque estava doente, mas pediu desculpas. Almoçamos com eles com frequência e somos uma família que se dá muito bem”, conta.
Com Bruno, as coisas foram um pouco diferentes. Ele assumiu sua sexualidade quando tinha cerca de 30 anos. “Antes namorei com mulheres, porque não queria me assumir, tinha medo. Eram namoradas para apresentar para família”, conta. Os pais de Bruno são separados, mas nenhum sabe sobre a opção sexual do filho. “Meus amigos sabem e dão o maior apoio, apesar de ter sido muito difícil para mim contar, assim como minha madrinha, mas nunca contei pros meus pais”.
Nas ruas de Relvado, o casal anda de mãos dadas, caminham juntos, saem. “Não vemos preconceito aqui. Eu fui muito bem acolhido, já fiz amizades, todos me tratam com muito respeito. Claro que você só terá respeito dos outros se você mesmo se der ao respeito, mas no Rio de Janeiro, por exemplo, o preconceito na rua é muito mais visível”, conta Bruno.

 

O futuro
O casal já traçou planos para o futuro, aquele futuro que já começou. Nos próximos dias, Bruno embarca para o Rio de Janeiro, onde irá se desligar da empresa em que trabalha com o pai, resolver burocracias bancárias, mudança de móveis e se preparar para fixar residência em Relvado. O empresário, que atuou como fotógrafo, pretende montar um estúdio de fotografia na cidade.
Adriano seguirá com o salão, e deve contar com a ajuda de Bruno. “Ele vai fazer um curso para me ajudar no salão quando for preciso, e eu pretendo também fazer algum curso da área de fotografia para ajudar ele. A intenção é que cada um tenha a sua empresa, mas os dois possam se ajudar”, explica Drico.
Na casa que Adriano e Bruno já moram juntos, tudo está sendo organizado. As tarefas são divididas: Bruno cozinha, mas Adriano toma mais à frente da limpeza.
Entre dezembro e janeiro, o casal ainda irá viajar em lua de mel, com destino à Disney, nos Estados Unidos.
Bruno, questionado se não estranhou a diferença, de sair de uma cidade grande, mundialmente conhecida, para uma cidade tranquila com pouco mais de dois mil habitantes, ele é enfático. “Não! Eu já queria sair do Rio, procurar um lugar mais calmo. E quando a gente ama, se acostuma com estas diferenças”, declara, com um amor que está marcado nas alianças e estampado no olhar.
• Joyce Alves Zanon

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