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Caminhos para uma nova fase de glórias

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Ele viveu épocas de glória, levou o nome de Encantado para os mais diversos cantos do mundo, inovou na diretoria, revelou atletas, formou talentos. Hoje, o Esporte Clube Encantado (ECE) já não é mais o mesmo leão feroz. É sim, ainda um ser forte e conhecido, mas já não tem mais a mesma representatividade. 

No último dia 21 de abril, o clube comemorou 75 anos de fundação. Como forma de homenagear e relembrar os tempos áureos do Leão do Vale, o jornal Antena buscou nomes que marcaram época na agremiação para tentar identificar possíveis caminhos para que este leão volte a rugir alto.
A direção do Clube organizou um amistoso para marcar a data. O adversário foi o Sport Club Internacional, de Porto Alegre, que veio a Encantado no dia em que a agremiação comemorou “Bodas de Diamante”.
O jogo teve início às 15h30min, com uma programação pensada para comemorar o aniversário do Leão do Vale.

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O Esporte Clube Encantado

Localizado no Centro do município, o Estádio das Cabriúvas, a casa do Esporte Clube Encantado, tem 84 anos de existência e conta com campo, arquibancada e vestiários, essenciais para um estádio, e ainda conta com um campo suplementar.
Atualmente, o clube tem cerca de 200 sócios, que pagam uma média de R$ 20 por mês. Este valor, somado aos valores arrecadados com patrocínios e com o lucro da copa em dias de jogos, é que mantém o Esporte Clube Encantado em funcionamento. 
O ECE já disputou a primeira divisão do Campeonato Gaúcho profissional, quando viveu momentos de glória.
Hoje, o Leão do Vale tem o time Sub-17, que disputa o estadual da categoria.

Airto Francisco Gomes

Airto Francisco Gomes é um dos nomes marcantes na história do clube. Foi jogador durante muitos anos, parando precocemente após sofrer uma lesão. Apesar de não poder mais defender o Esporte Clube Encantado nos gramados, ele passou a atuar na diretoria, tendo sido presidente do Leão do Vale em 12 oportunidades. A paixão pelo clube é tanta que o primeiro livro – do total de 21 publicados – refere-se à agremiação: “Dentro & Fora das 4 Linhas”, publicado em 1999. A obra de 177 páginas conta a história do clube e algumas histórias e curiosidades vividas pelos envolvidos com o clube. 
O ex-professor acredita que o clube decaiu em virtude de uma soma de fatores, entre os quais, os campeonatos amadores, que acabavam por contratar os jogadores de clubes menores; a crise econômica e a desmotivação dentro das próprias diretorias. Para ele, o caminho para recuperar o Esporte Clube Encantado está em acordos. “Seria necessário que empresários interessados em investir no clube firmassem acordos com o clube. Como por exemplo, o empresário paga o salário do jogador e o clube arca com as despesas de alimentação e hospedagem, algo assim. Sozinha, a agremiação não tem como se manter”, comenta.
Airto teme que o futuro da agremiação não seja promissor. “O clube sobrevive de teimoso. O estádio das Cabriúvas está localizado em uma área nobre, então acredito que acabará sendo usado para outra coisa. Poderia se fazer um complexo médico o que está ao lado, mas claro que pra isso é necessária a realização de uma audiência pública, a aprovação da maioria e um novo espaço para que se construa um novo estádio, em uma outra área”, pontua.

Verner Werle

Presidente do Esporte Clube Encantado, Verner Werle lembra que, com exceção do Lajeadense, que atua no profissional, o Leão é o único clube do Vale do Taquari que é filiado na Federação Gaúcha de Futebol (FGF) e na Confederação Brasileira de Futebol (CFB), podendo disputar todas as competições organizadas pela FGF nas categorias de base. “O ECE disputa no últimos anos o Campeonato Estadual Juvenil (Sub 17), oportunizando aos garotos da região alta do Vale do Taquari uma grande vitrine para quem sabe, no futuro, serem jogadores profissionais”, destaca. 
Sobre disputar uma competição profissional, Werle destaca que é mais difícil. “Este é um passo bem complicado devido aos altos custos. Porém, neste ano em que o Clube completa 75 anos, estamos estudando a possibilidade de disputarmos a competição Sub 19, que é o passo antes de o atleta se tornar profissional. Assim, talvez, algumas pessoas e apoiadores poderão voltar a se aproximar do Clube e, quem sabe, no futuro, poderemos disputar uma divisão de acesso”, comenta.

O que pensam os desportistas

Ênio Fontana
Fontana foi um dos craques do Esporte Clube Encantado, tanto que foi convocado para a Seleção Gaúcha de Futebol. Os “tempos de glória” do ECE, ele recorda com saudade. “. Não foi fácil chegar onde o clube chegou, tudo foi resultado do trabalho de várias pessoas”, comenta. Ênio acredita que eram épocas diferentes. “É um trabalho difícil manter um time no profissional, por exemplo. Naquela época as coisas eram diferentes. Mesmo para uma cidade pequena, havia um bom plantel, uma torcida ativa, uma comunidade participativa”, comenta. Fontana acredita que seria inviável um time como antigamente. “Se esbarra na parte financeira. Em uma cidade pequena é inviável manter um time nestas condições. Gostaria muito de ver o Esporte Clube Encantado novamente ativo como antigamente, mas acredito que seja muito difícil”, explica.

Lício Caumo
Lício é amante do futebol. Prova disso é seu envolvimento com o Esporte Clube Encantado, onde atua na área administrativa. Caumo lembra com saudade dos tempos de grandes conquistas do time, vividos, principalmente, na década de 1970. “Aquelas conquistas foram um fenômeno, algo quase fora da realidade. É muito difícil um time de uma cidade pequena como Encantado se manter na primeira divisão. Naquela época, em 1974, o município tinha cerca de 10 mil habitantes na área urbana, e disputávamos o campeonato com outros nove clubes. Foi um fenômeno. Times de cidade pequena não conseguem se manter tanto tempo assim, não há condições econômicas para tanto”, comenta. Lício acredita que o time se moldou a realidade. “O clube se adequou à realidade local, sendo de uma cidade pequena”. 
Para Caumo, o caminho para o time voltar a crescer também é financeiro. “Hoje, nos mantemos com patrocínio, sócios e copa. Não devemos nada, não pagamos uma conta com atraso. O caixa tem um saldo razoável para a nossa realidade, mas precisamos de mais para melhorar. É preciso uma grande reforma no estádio, uma reforma geral. É algo que precisa ser feito há mais de 20 anos, mas o clube não tem como arcar com estes custos. Só com estas melhorias poderemos, no futuro, ser um clube formador de jogadores, dando oportunidade para rapazes de Encantado e região de aparecer em clubes maiores, se profissionalizarem e também levar o nome de Encantado”, pontua.

Danilo Mior
Há anos envolvido com o clube, Danilo Mior hoje atua como técnico e preparador físico do clube. Para ele, a situação atual da agremiação é resultado de diversos fatores. “A grande dificuldade é a questão financeira. Falta incentivo, e manter um clube com poucos recursos é um grande desafio”, pontua. Apesar disso, a direção segue buscando melhorias. “Hoje temos o juvenil disputando o sub-17 estadual. Para o próximo semestre, queremos ter um time que possa disputar o sub-19 estadual. Estamos buscando parcerias e incentivos para isso”, comenta.Mior acredita que o caminho para revitalizar o ECE esteja justamente nestes incentivos. “Precisamos de mais parcerias para conseguir avançar”. Para o futuro, o técnico e preparador físico espera melhoras. “Daqui a 10 anos gostaria de ver o Esporte Clube Encantado como nos velhos tempos, indo pra frente, vivendo dias melhores. Se depender de amor e trabalho dos envolvidos, com certeza conseguiremos”.

Lucrécio Moesch
O quarto zagueiro Lucrécio Moesch, o Keko, também viveu os tempos de glória do Leão do Vale. Foi aqui, no Estádio das Cabriúvas que ele começou a mostrar o seu talento no futebol, que mais tarde o levou a conquistar outros títulos com outros clubes.
Lucrécio acredita que naquela época, a situação toda era diferente, e “conspirava a favor” dos clubes. “Naquele tempo, tínhamos mais jogadores daqui, da cidade, da região. A comunidade, apesar de bem menor, parecia mais unida, tinha mais interesse pelos jogos, pelo clube. A verdade é que o sentimento era outro. Existia mais amor pelo clube, mais amor pela cidade, mais amor à camisa. Hoje tudo é mais complicado”, pontua. 
Queco acha que o caminho para voltar ao auge do Clube está no compromisso. “Hoje não surgem mais jogadores. Quando surgem, eles mal começam e já querem sair ganhando uma fortuna. Além disso, a juventude não se interessa mais pelo futebol como a juventude da minha época. Existem outras distrações, outros interesses, que não só o futebol”, frisa.

Prefeito Adroaldo Conzatti
O prefeito de Encantado, que também já presidiu o clube, lembra que não é função do município gerir um time do futebol, mas reconhece as dificuldades que o clube enfrenta. “Vejo que manter um clube profissional hoje é muito difícil, até pelas dificuldades que nós temos”. Conzatti ressalta que o setor da saúde terá um crescimento considerável a médio prazo. “Encantado dará um salto, especialmente na área da saúde. Com estas mudanças, aumenta a demanda de pessoas na cidade, e a Administração pensa em utilizar o Estádio das Cabriúvas como apoio. “A área do campo é do município. Foi uma cessão de uso enquanto existir o Clube. Temos ali dentro uma área que pode servir como apoio para aquelas pessoas que vem de outros municípios para fazer uso destes atendimentos.
As mudanças, no entanto, não devem alterar a rotina da agremiação. “A área é nobre, bem localizada e as modificações não irão interferir nas atividades do clube. O município terá 12 novas academias ao ar livre, e uma será instalada lá. A intenção é fazer uma adequação e tornar o entorno um local acolhedor, uma área verde, para que as pessoas possam se acomodar. É bom para o município, bom para o Clube, para a comunidade e para quem vem buscar estes atendimentos em Encantado, que sairão daqui com uma boa impressão”, finaliza o prefeito.

José Acemar Cavalheiro Machado
O sargento da Brigada Militar, José Acemar Cavalheiro Machado, acompanha de perto o clube. Literalmente. Desde 1992, ele reside no entorno do Estádio das Cabriúvas. Machado acredita que é preciso despertar o interesse da comunidade para que o clube volte a crescer. “A população não tem motivos para ir até o estádio, não tem nada que atraia as pessoas para lá. Nem mesmo em dia de jogos o público é de um número considerável, acaba sempre indo pouca gente. Creio que é preciso valorizar o local, criar uma área de lazer onde as pessoas possam ir caminhar, se exercitar, descansar. Algo que atraia a população novamente para o estádio e volte a dar visibilidade para o local”, comenta.

Humberto Chitto
Jogador do Esporte Clube Encantado nos anos de 1973, 1974 e 1975, Humberto Chitto, o “Careca”, também viveu o auge da agremiação. Atualmente, ele é coordenador relações institucionais do Gabinete do Vice-governador do Estado. Chitto acredita que a situação atual do clube é resultado de diversos fatores. “O futebol do interior foi perdendo sua força porque as pessoas se distanciaram, poucos faziam futebol de verdade. Ainda tem a questão financeira. Empresas que colaboravam diminuíram ou pararam com os auxílios. A verdade é que o futebol ficou caro em relação ao poder aquisitivo. Para as prefeituras também ficou mais difícil ajudar. As leis engessaram a distribuição de recursos para os esportes. Já fui prefeito de Muçum e sei das dificuldades”, comenta. Chitto ainda fala sobre o interesse dos jovens. “A juventude da época também não tinha mais gosto pelo profissional, não queria o compromisso de treinar, se dedicar”. 
O ex-atleta acredita que o caminho para “reviver” o clube esteja na montagem de um novo plantel. “Para voltar, acredito que só colocando um time competitivo que tenha condições de avançar no Campeonato Gaúcho. Assim, com chances de bons resultados, há atrativos também para a população prestigiar os jogos e para as empresas ajudarem financeiramente”, destaca.

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