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Comunidade opina sobre futuro do hospital de Muçum

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O Hospital Nossa Senhora Aparecida pediu ajuda, e a comunidade atendeu. A crítica situação econômica que a casa de saúde enfrenta levou a Associação Beneficente de Muçum (ABM), mantenedora do hospital, a desenvolver uma série de ações para tentar recuperar a ordem financeira. Jantares, jogos, carnaval, Ação Entre Amigos e muitas outras ações buscam arrecadar recursos para quitar os cerca de R$ 800 mil que o hospital tem de dívidas.

A origem
O déficit financeiro do hospital vem de algum tempo. Conforme o administrador da casa de saúde, Valmor Lucca, o problema teve início há cerca de nove anos. “Em 2008, a ABM entrou com o pedido de filantropia do hospital, e parou de pagar a cota patronal, por entender que o pedido em si já isentava o hospital destes encargos. O problema é que a cota patronal só se torna isenta a partir do dia de publicação da filantropia no Diário Oficial, o que aconteceu em 21 de agosto de 2013. Ou seja, durante cinco anos este valor não foi pago, e foi acumulando e juntando juros”, explica. O valor pago de cota patronal, mensalmente, era de cerca de R$ 12 mil.
Outro problema surgiu no ano passado, quando o hospital precisou renovar a filantropia. “Para isso, precisamos juntar todas as negativas e provar que estávamos em dia, então a dívida foi parcelada, e desde março de 2016 estamos pagando esta conta, com dificuldade, mas estamos pagando”, pontua. A filantropia foi renovada – vale até 2019, quando o processo precisa ser refeito.
Com a situação financeira delicada, no final do ano passado, a entidade precisou recorrer novamente à rede bancária para fazer empréstimo, a fim de conseguir recursos para arcar com a folha de pagamento e honrar os compromissos com outros empréstimos já contraídos. “Como tínhamos urgência com estes pagamentos, fizemos em curto prazo e os juros são maiores”, destaca. Agora, a entidade busca um outro empréstimo de valor maior. “Com este, com um prazo maior, a parcela será menor, e irá facilitar o pagamento”, explica o diretor.

O pedido de ajuda
Em janeiro, a ABM em parceria com a Administração Municipal, divulgou uma série de propostas para ajudar a entidade, pedindo o apoio da comunidade. Entre as medidas, está uma Ação Entre Amigos, com a finalidade de buscar recursos financeiros imediato para a instituição. As cartelas começam a ser distribuídas ainda em janeiro e seguem até setembro, quando, no dia 30, serão sorteados os vencedores através da Loteria Federal. A premiação é toda em dinheiro: R$ 10 mil para o primeiro lugar; R$ 5 mil para o segundo; R$ 2,5 mil para o terceiro; R$ 1,5 mil para o quarto e R$ 1 mil para o quinto lugar.
No carnaval, a entidade recebeu R$ 4.300,00, oriundos de parte do valor arrecadado com a venda de ingressos para entrada na festa. No final de março, dia 25, o salão paroquial recebeu 600 pessoas para um jantar em prol da casa de saúde. O lucro do evento foi de R$ 17.854,30. No próximo domingo, dia 9 de abril, um jogo beneficente também irá arrecadar dinheiro para o hospital. Para atrair ainda mais público para ajudar na causa, diversos nomes conhecidos do esporte gaúcho estarão presentes.
A entidade ainda tem a venda de Títulos de Sócios Contribuintes, conforme prevê o Estatuto da Entidade. O programa “Encontro com o Hospital” na qual a equipe de saúde estará realizando Audiências Públicas, em todas as comunidades do município, deve auxiliar mostrando a situação real da entidade. As doações também podem ser feitas pelo Programa Hospital Com Mais Saúde, em parceria com a AES Sul, que coleta valores escolhidos pela comunidade através da conta de energia elétrica de cada contribuinte participante, e através do Programa Nota Fiscal Gaúcha.

As mudanças
Lucca afirma que o resultado das ações está sendo decisivo para o futuro do hospital. “Noventa e oito por cento da população de Muçum abraçou a causa, está ajudando. E estes 98% também estão dispostos a manter o hospital mesmo para aqueles outros 2% que acham que devemos fechar a casa de saúde”, comenta. Não só a comunidade tem ajudado. “O poder público está totalmente empenhado em manter o hospital. Recebemos ajuda da prefeitura, que repassa R$ 91 mil mensais para o hospital, além de todo o trabalho que os funcionários fazem”, frisa.
Conforme o administrador, a situação ainda é delicada, mas deve melhorar. “Ainda temos muito a pagar, mas a situação já foi muito pior. Hoje podemos dizer que temos fluxo de caixa o suficiente para pagar estas parcelas, estamos conseguindo arcar com as contas através de empréstimos, empenho da Administração e da comunidade. Se não fosse esta união, não seria possível”, destaca.
A secretária municipal da Saúde, Roseli Donatti Di Domenico destaca o empenho da comunidade como um todo. “Estamos fazendo o possível e o impossível para não deixar que o hospital feche, porque sabemos que se fechar, não reabre, vemos isso em outros municípios”, ressalta. Roseli diz que a Secretaria tem ajudado com a trabalho. “Ajudamos no jantar, no carnaval. Estamos em parceria, e vemos que 99,9% das empresas, por exemplo, auxiliaram com o jantar. Vemos que a comunidade está empenhada. A secretaria da Saúde tem ajudado com carro, combustível, motoristas. É uma parceria que queremos manter, porque comprar saúde fora é muito pior. Não estou dizendo que somos mal atendidos em outros municípios, não somos. A questão é que comprar saúde fora sai mais caro e é, na maioria das vezes, mais demorado. Vamos continuar lutando pelo hospital. E se Deus quiser, de grão em grão, vamos resolver este problema”, pontua.
O prefeito de Muçum, Lourival de Seixas, frisa que a Administração Municipal tem ajudado para tentar salvar o hospital. “Estamos com muitas ações, muitas medidas para ajudar. Além disso, a Administração repassa cerca de R$ 91 mil por mês ao hospital. Se formos analisar este valor em relação ao número de habitantes, somos um dos municípios que mais repassa auxílio ao seu hospital”, explica. O chefe do Executivo ainda destaca que o município ajuda de outras formas, além do repasse de valores mensais. “Através da secretária da Saúde também ajudamos, cedendo motoristas, carros. Vamos fazer todo o possível para ajudar. A comunidade também abraçou a causa, estão auxiliando muito. O hospital vai melhorar e muito! Estamos trabalhando para isso”, finaliza.

A equipe do jornal Antena foi às ruas para saber o que a população pensa. Perguntamos aos moradores se eles são favoráveis as ações realizadas para salvar o Hospital Nossa Senhora Aparecida. Confira:

 

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“Eu sou a favor, pois precisamos do hospital para o atendimento de emergência e também, para atendimento da população em geral”. Carla Rosane Girardi, 47anos, empresária.

“Sou a favor, porque não podemos deixar que ele feche. Muitos dependem deste atendimento. Alguns têm dificuldade para ir a outros municípios e, tendo em vista que muitos são idosos, a locomoção se torna mais difícil”. Cynthia Sellmer Buffon, 47 anos, professora.

“Eu sou contra. Acho que tem muita gente lá dentro, comparado ao número de atendimentos. Tu vais lá e tem quatro ou cinco pessoas em cada sala, sendo que um faria o trabalho. Acho que deveriam priorizar o atendimento, e não o número de funcionários”. Maria Eugênia Maciel Barros, 48 anos, dona de casa.

“Sim, sou favorável. Tudo o que se pode fazer para ajudar é valido. Dessa forma, todo mundo se beneficia e evita que se vá procurar atendimento em outras cidades, pois na maioria das vezes nem são casos tão graves. Além disso, ir à outras cidades é descômodo”. Simone Bao, 38 anos, balconista.

“Com certeza sou a favor. É bom para todos que o hospital fique aberto, aqui é perto, não precisamos ir para outras cidades”. Nari Kunzler Marques, 57 anos, aposentada.

“Sim, sou a favor. Ajudo todosos meses através da conta de luz, onde é cobrada uma taxa que vai para o hospital. Creio que todos deveriam fazer o mesmo”. João Fidelis Garibotti, 64 anos, aposentado.

“Sou a favor, pois o povo precisa do hospital”. Joice Sebben, 42 anos, caixa.

“Sim. É importante que não feche pois todos precisamos e não faz muito tempo também precisei”. Paula Costaneski, 27 anos, calçadista.

“Sou a favor. Todos precisam. Eu ajudo e acho que quem pode deve ajudar. O fechamento não é bom pra cidade e nem para o povo”. Jandir Cimarosti, 65 anos, apostado.

“Concordo com as ações. Para que não feche e tenhamos que nos dirigir para outros municípios”. Rosane Bagnara, 40 anos, dona de casa.

“Sim. É importante que todos se conscientizarem em ajudar.Todos precisamos, não adianta só ficar reclamando como fazem uns e outros, o melhor é cada um fazer a sua parte”. Fernanda Cipriani, 19 anos, cuidadora. Júlia Bagnara, estudante.

“Sou a favor. Acho que o povo precisa e deve ajudar a manter o hospital aberto”. Sérgio Leindecker, 50 anos, funcionário público.

“Sim. Acho que uma comunidade sem um hospital, uma igreja, umas escola não é uma comunidade. A ação é valida para que o hospital continue aberto, prestando nem que seja um primeiro atendimento, mesmo que em alguns casos tenha que ser encaminhado à outras cidades”. Marines Lucca, 51 anos, professora.

“Sim. Com certeza, uma cidade sem hospital não é nada, e uma vez fechado nunca mais será reaberto. É importante para todos que ele continue aberto, funcionando”. Alcides Liberato Pereira, 64 anos, pintor e coveiro.

“Concordo. São importantes, mas devia ter sido feito antes. É importante que a comunidade ajude. O poder público também deveria ter se preocupado com isso antes. Na época das eleições não existia nenhum problema, agora a realidade está surgindo”. Vitor José Caron, 51 anos, comerciante.

“Sim concordo. Acho que o país na situação que está devemos procurar outras alternativas”. Ernesto Ulmi, 61 anos, comerciante.

“Sim. Inclusive ajudo no que posso.O que seria de nos se o hospital fechasse?Teríamos que ir para outras cidades e sem plano de saúde seria ainda mais complicado”. Jussara da Silva Venâncio, 51 anos, encostada.

“Sou a favor. As ações são de boa intenção e bem aceitas, inclusive sempre que posso ajudo. Porém caso não funcione por determinadas dificuldades acho que deveria ser direcionado para outras funções, como por exemplo, uma ala geriátrica”. Luis Henrique Sandri, 32 anos, biomédico.

“Sim. Muçum não pode deixar o hospital fechar. Pois eu sou uma pessoa que graças ao atendimento aqui nos hospital hoje estou vivo, se tivesse que ser direcionado para outra cidade provavelmente não teria sobrevivido aos problemas cardíacos que tive”. Antônio Baronio, 72 anos, autônomo.

“Sim. É valido o esforço, apesar de talvez não ser o suficiente. Quem sabe se houvesse um ajuste no salário dos profissionais, juntamente com as ações da comunidade e o empenho da administração o hospital poderia ser salvo”. Neudi Picoli, 52 anos, comerciante.

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