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No dia de São Cristóvão, a homenagem para os senhores da terra e das estradas

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Não tem sol, chuva, dia ou noite com eles. O clima e a temperatura não mudam a jornada de trabalho. Eles lavram a terra, cultivam o solo, colhem alimentos para homens e animais. Transportam as produções pelas estradas do país todo, conduzem passageiros, enfermos ou não, enfrentando os mais diversos perigos e provações. Eles são colonos e motoristas, senhores da terra e das estradas, que na terça-feira, 25, comemoraram o seu dia, abençoados pelo padroeiro, São Cristóvão.

 

Família Lorenzon: engenheiro, administrador e agricultores apaixonados pela terra

Moradores da Linha Auxiliadora, em Encantado, Neuton Lorenzon (53) gerencia uma propriedade de 18 hectares. Para dar conta de tudo, ele conta com a ajuda da esposa, Doraci (56) e dos filhos Alex (27) e Elias (25), sendo que cada um tem suas tarefas. Elias, o caçula, é casado e tem sua própria casa próxima à propriedade dos pais. A esposa é fisioterapeuta e trabalha em Encantado.
Casados há 31 anos – comemorados nesta semana – o casal construiu a vida aos poucos. “Quando casamos viemos morar aqui e trabalhar com meu pai. Começamos do nada. Aos poucos fomos comprando nossa terra, fazendo nossa casa e construindo nossas coisas”, explica Neuton. Na propriedade, os Lorenzon têm ovelhas, galinhas, plantação de eucaliptos, milho e produtos para o sustento da família. “Tudo o que se consome se produz aqui”, explica Doraci. O forte da família, no entanto, são os suínos. “São 240 matrizes”, explicam.
Há oito anos, um acidente interrompeu temporariamente o trabalho de Neuton. “Eu estava trabalhando na serra circular e acabei cortando os dedos na parte de baixo da máquina”, lembra. Lorenzon teve quatro dedos da mão direita cortados, ficando apenas o dedão intacto, os demais, ou foram completamente decepados ou ficaram pendurados. Para não ter os dedos amputados, o agricultor foi a Canoas fazer o tratamento. “Lá eles implantaram os dedos de volta. Apesar de ter perdido o dedinho, e de eu não ter recuperado completamente os movimentos ou a sensibilidade, porque os nervos foram afetados, pelo menos eu tenho a parte estética bonita”, justifica.
Os filhos decidiram ficar na propriedade e seguir a profissão dos pais, mas isso não significa que eles abandonaram os estudos, pelo contrário, seguiram adiante. Alex é técnico em telecomunicações e engenheiro mecânico, e o irmão, Elias, está terminando a graduação em Administração de Empresas. Apesar de as especializações não serem diretamente ligadas ao trabalho na agricultura, os estudos ajudam bastante na lida diária. “Acabo fazendo toda esta parte de consertos, então não precisamos buscar este serviço fora”, explica Alex. O pai ainda lembra que este trabalho acaba se revertendo em economia. “É uma mudança considerável no final do mês, porque assim não precisamos pagar alguém para fazer este trabalho”, conta Neuton, explicando que a família costuma fazer tudo: desde consertos até construções em alvenaria. “Ele é o pedreiro e eu a servente”, conta Doraci.
A rotina da família começa cedo, por volta das 7h já estão todos trabalhando, sendo que Alex e Elias ficam mais ocupados com o chiqueiro, em uma rotina que dura de segunda a segunda. “No domingo, os guris tiram folga, e eu e o Neuton cuidamos de tudo”, revela Doraci. No inverno, o trabalho costuma seguir até as 18h, mas no verão se estende até mais tarde. “O pior de se trabalhar na agricultura é o horário. Não temos férias em família, porque alguém sempre tem que ficar para cuidar de tudo”, destaca Doraci. Apesar disso, eles não pensam em largar a vida que têm. Quando mais jovem, Neuton chegou a trabalhar em uma indústria, mas logo desistiu. “Fiquei lá 21 dias, com carteira assinada e tudo, mas aquilo não é para mim, meu lugar é aqui, na roça, na terra”, finaliza.
Joyce Alves Zanon

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